quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eu Não Quero Voltar Sozinho

Um belíssimo curta que foi censurado no Acre por conta de..., bom todos sabem porquê.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Come Julinha, come...

...Danoninho a marota comia, e se ria toda ainda por cima.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cartografia Afetiva

"Daquela terra, daquela argila..."

 Nascido entre a lagoa, hoje bem dizer morta, e o mar, cada dia maior, seu norte oscilava entre estas duas águas e a poeira da estrada.

A lagoa de sombrio, a lagoa de sombrio, corre que desaparece ai, ai...

Ela, sempre silenciosa, fazia com que as vozes que soavam longe tivesemm seus vultos a umas braças de distância e o ronco do Tarrã parecesse sempre mais distante.


Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Ele, sempre presente, tinham como que suas ondas rolando no pátio de casa, quanto mais se aproximava mais ficava salgado o cheiro do ar.



Como uma curva de caminho.
Anônima,
Torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!
 E o chão, a terra, a estrada, a poeira, com tudo que encerram: origem, essência, posse, sobrevivência, destino, ida-volta, fuga e reencontro, o moldaram.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Uma payada

O Sonho do Carreteiro
Luiz Menezes

Carreteou anos a fio.
Conhecia palmo a palmo
as estradas da querência;
Sabia onde dava passo
- no tempo das enxurradas -
aquele arroio sotreta
cemitério de carreta
disfarçado em água mansa
Vira nascer muitos ranchos
nesse corredor sem fim.

Sabia que na picada
logo depois do lagoão,
o umbu do enforcado
dera lenda prás estórias
dos bolichos, das ramadas.

Sabia bem todo o causo
da tapera do repecho:
A maula traíra o guasca
e este sem dó nem piedade,
cortara junta por junta
o belo corpo moreno
daquela indiazinha louca
que se engraçara num piá ...

Mas além, no Passo-feio
vira morrer um tal Juca.
Eram três contra o rapaz.
E como morrerra lindo
aquele guasca sem medo ...
A estória ficou em segredo
pois diz que o tal de mandante
era mui relacionado,
e até contraparente
de um graudaço do povo.

Conhecia palmo a palmo
as estradas da querência,
sempre fora carreteiro.
Envelhecera na lida
sem conhecer outra vida
sem ter outra ocupação.
Tinha por seu ganha-pão
a velha carreta amiga
companheira de cantiga
daquele piazinho vivo
que era, alegria e motivo
de seu final de existência.

Pois ficaram bem solitos
mais amigos do que antes
des’que a finada se fora ...
Por isso sempre de noite
a meia luz do candieiro
ficava horas inteiras
mostrando prá seu piazinho
as letras do ABC.

E o piá com muita memória
decorava uma por uma
as letras que galopeava,
ou por outra, engarupava
nas palavras do jornal.
Como era esperto o guri:
Foi duas, três paletadas
já sabia mais que o pai ...
E foi numa dessas noites
que o velho e bom carreteiro
teve um sonho de repente.
E quasi num gesto louco
gritou prás quatro paredes
enfumaçadas do rancho:
Meu filho há de ser doutor!
Não há de ser carreteiro,
pois estas mãos calejadas
do peso-bruto, da enxada,
hão de sangrar no trabalho
prá que este piazinho feio
viva melhor do que eu ...

Pura e santa ingenuidade!
O arroio-sociedade
prá o pobre nunca dá vau!!
No outro dia cedinho
enveredou para o povo ...

Voltava a velha carreta
A resmungar nas estradas
na viajada da esperança
carregadinha de sonhos.
E o pobre e bom carreteiro
ia falando de tudo
com seu piazinho faceiro
dentro da bombacha nova.

Não esquecia de nada
nos seus conselhos de pai:
Se lá no povo à tardinha
o piá sentisse saudade,
bombeasse prá o horizonte,
que alguém solito decerto
meio tristonho é verdade,
mateando assim com saudade
estaria a lhe esperar ...

Que importa se demorasse,
pois nunca ouvira dizer
que a tal saudade matasse.
Mas nesse dia por certo
Quando voltasse doutor
tudo havia de mudar.
Até o céu com certeza
morada das almas puras
ouviria com ternura
uma indiazinha chorar.

E as estradas da querência
que conhecia demais,
lhe viram passar feliz
com novo brilho no olhar.

Mas lá no povo - cuê-puxa! -
Bateu em todas as portas
clamou por todos os santos
recorreu todos os amigos
- muitos dos quais ajudara -
andou quase mendigando,
Prá dar escola pra o filho
mas ninguém quis lhe escutar ...
E a esperança foi mermando
foi mermando ... e se apagou.

Botou a carreta na estrada
o Piazinho dentro dela
tocou de volta outra vez.
A noite então já chegara.
Naquela enrugada cara
de gigante das estradas
uma lágrima teimosa
veio molhar-lhe o nariz ...

Olhou o filho com carinho,
mas com muito mais carinho
Com mais amor do que antes
e uma queixa derramou:
Quem nasce lutando busca
a morte por liberdade!

Mentira! A tal de igualdade
não existe por aqui ...
Que adianta se amar aos outros
se os outros não dão amor?
Pega a picana, piazinho
e acorda esse boi manheiro,
pois filho de carreteiro
nunca pode ser doutor!!


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Dorival, Tom e meu mano Marcelo

É que hoje é aniversário do Marcelinho, ou Maccelo(assim com entonação italiana), ou bem lá atrás Cecéu, ou Papai Macelo como diz a Clarinha, ou Mano. E fica aqui meu beijo com saudade e o desejo de muitas felicidades, que por teu jeito de ser é encontrada nas coisas mais simples, oque é muito bom.
E já que esbarrei com esta coisa fantástica que é Tom e Caymmi, vai aqui também.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Crônica

Sia Rosaura tirava a dentadura para comer
Por isso ela tinha o sorriso postiço mais sincero da minha rua
Dona Maruca fazia uns biscoitinhos minúsculos, estalantes e secos, chamados mentirinhas
Eduviges era pálida e lia romances lacrimosos de Perez Escrich
Tanto suspirou em cima deles que acabou fugindo com um caixeiro viajante
O tempo se desenrolava como um rio por entre as casas de porta e janela
Pequenas vidas
Pequenos sonhos
Na noite imensa as estrelas eram como girândolas brancas que houvessem parado
Sentados à porta
- dois santos, dois mágicos, dois sábios –
meu velho Tio Libório e o velho farmacêutico
propunham-se e compunham charadas
que depois orgulhosamente remetiam sob nomes supostos
para o grande anuário estatístico recreativo e literário da capital do Estado
Mario Quintana