sábado, 19 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
Cartografia Afetiva
"Daquela terra, daquela argila..."
Nascido entre a lagoa, hoje bem dizer morta, e o mar, cada dia maior, seu norte oscilava entre estas duas águas e a poeira da estrada.
Ela, sempre silenciosa, fazia com que as vozes que soavam longe tivesemm seus vultos a umas braças de distância e o ronco do Tarrã parecesse sempre mais distante.
Ele, sempre presente, tinham como que suas ondas rolando no pátio de casa, quanto mais se aproximava mais ficava salgado o cheiro do ar.
E o chão, a terra, a estrada, a poeira, com tudo que encerram: origem, essência, posse, sobrevivência, destino, ida-volta, fuga e reencontro, o moldaram.
Nascido entre a lagoa, hoje bem dizer morta, e o mar, cada dia maior, seu norte oscilava entre estas duas águas e a poeira da estrada.
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| A lagoa de sombrio, a lagoa de sombrio, corre que desaparece ai, ai... |
Ela, sempre silenciosa, fazia com que as vozes que soavam longe tivesemm seus vultos a umas braças de distância e o ronco do Tarrã parecesse sempre mais distante.
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| Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; - depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar |
Ele, sempre presente, tinham como que suas ondas rolando no pátio de casa, quanto mais se aproximava mais ficava salgado o cheiro do ar.
| Como uma curva de caminho. Anônima, Torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo! |
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Uma payada
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Dorival, Tom e meu mano Marcelo
É que hoje é aniversário do Marcelinho, ou Maccelo(assim com entonação italiana), ou bem lá atrás Cecéu, ou Papai Macelo como diz a Clarinha, ou Mano. E fica aqui meu beijo com saudade e o desejo de muitas felicidades, que por teu jeito de ser é encontrada nas coisas mais simples, oque é muito bom.
E já que esbarrei com esta coisa fantástica que é Tom e Caymmi, vai aqui também.
E já que esbarrei com esta coisa fantástica que é Tom e Caymmi, vai aqui também.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Crônica
Sia Rosaura tirava a dentadura para comer
Por isso ela tinha o sorriso postiço mais sincero da minha rua
Dona Maruca fazia uns biscoitinhos minúsculos, estalantes e secos, chamados mentirinhas
Eduviges era pálida e lia romances lacrimosos de Perez Escrich
Tanto suspirou em cima deles que acabou fugindo com um caixeiro viajante
O tempo se desenrolava como um rio por entre as casas de porta e janela
Pequenas vidas
Pequenos sonhos
Na noite imensa as estrelas eram como girândolas brancas que houvessem parado
Sentados à porta
- dois santos, dois mágicos, dois sábios –
meu velho Tio Libório e o velho farmacêutico
propunham-se e compunham charadas
que depois orgulhosamente remetiam sob nomes supostos
para o grande anuário estatístico recreativo e literário da capital do Estado
Por isso ela tinha o sorriso postiço mais sincero da minha rua
Dona Maruca fazia uns biscoitinhos minúsculos, estalantes e secos, chamados mentirinhas
Eduviges era pálida e lia romances lacrimosos de Perez Escrich
Tanto suspirou em cima deles que acabou fugindo com um caixeiro viajante
O tempo se desenrolava como um rio por entre as casas de porta e janela
Pequenas vidas
Pequenos sonhos
Na noite imensa as estrelas eram como girândolas brancas que houvessem parado
Sentados à porta
- dois santos, dois mágicos, dois sábios –
meu velho Tio Libório e o velho farmacêutico
propunham-se e compunham charadas
que depois orgulhosamente remetiam sob nomes supostos
para o grande anuário estatístico recreativo e literário da capital do Estado
Mario Quintana
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Para viver um grande amor,
...primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor...
...Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor...
...Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?...
...Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor...
...Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?...
sexta-feira, 18 de junho de 2010
José Saramago, um sobrevivente num tempo de mudanças.
Estávamos almoçando quando em uma chamada de noticiário ouvi sobre a morte do Saramago. Duas ou três mesas pararam, garfos suspensos. Ela arregalou aqueles olhos grandes e lindos, faz pouco perdeu uma artista a qual gostava muito e que a influencia em seus trabalhos. Eu fiquei triste.
O primeiro livro que conheci do Saramago não lembro o nome, não li todo e não sei do que se trata. Não tinha ponto final no livro, nem vígula nada. Sei que usava de um truque em descrições e que estão em outras obras também. Percebi que ali estava alguém que merecia ser lido.
'Jangada de Pedra' veio até mim com seu desabafo de como a Ibérica é outra Europa, de como está a deriva naquele continente. Em 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo' encontrei meu Jesus. Aquele que vale a pena ser imitado. Um ser humano com seus medos e incertezas, e desejos e alegrias. Cujo primeiro milagre foi um ode a alegria.
'Todos os Nomes' é fantástico, e como bem percebeu o meu amigo Gibras, uma história que a princípio não se dá grande valor e que se torna um prazer. Caim é recontado primorosamente, Saramago levava a mesma marca!?
'Ensaio Sobre a Cegueira' rendeu um filme bom e é uma obra prima por tudo. Pela história, pela parábola que é, pela escrita. E por tudo que vai render de desdobramento em torno e dentro de si.
Saramago falando é um vinho de tão bom. Com seu pessimismo, ateísmo, comunismo e todos os ismos que uma pessoa do seu quilate é rotulada, choca, ofende, incomoda, hipnotiza e faz pensar.
O mesmo homem que com firmeza diz "Aqui na Terra a fome continua, / A miséria, o luto, e outra vez a fome." e compara Israel a um novo Golias, se despede de Cuba com "Cheguei até aqui. De agora em diante, Cuba seguirá seu cainho e eu fico.", enternece com sua saudade da infância pobre.
Uma pena, acredito que deixou coisas por serem ditas...
O primeiro livro que conheci do Saramago não lembro o nome, não li todo e não sei do que se trata. Não tinha ponto final no livro, nem vígula nada. Sei que usava de um truque em descrições e que estão em outras obras também. Percebi que ali estava alguém que merecia ser lido.
'Jangada de Pedra' veio até mim com seu desabafo de como a Ibérica é outra Europa, de como está a deriva naquele continente. Em 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo' encontrei meu Jesus. Aquele que vale a pena ser imitado. Um ser humano com seus medos e incertezas, e desejos e alegrias. Cujo primeiro milagre foi um ode a alegria.
'Todos os Nomes' é fantástico, e como bem percebeu o meu amigo Gibras, uma história que a princípio não se dá grande valor e que se torna um prazer. Caim é recontado primorosamente, Saramago levava a mesma marca!?
'Ensaio Sobre a Cegueira' rendeu um filme bom e é uma obra prima por tudo. Pela história, pela parábola que é, pela escrita. E por tudo que vai render de desdobramento em torno e dentro de si.
Saramago falando é um vinho de tão bom. Com seu pessimismo, ateísmo, comunismo e todos os ismos que uma pessoa do seu quilate é rotulada, choca, ofende, incomoda, hipnotiza e faz pensar.
O mesmo homem que com firmeza diz "Aqui na Terra a fome continua, / A miséria, o luto, e outra vez a fome." e compara Israel a um novo Golias, se despede de Cuba com "Cheguei até aqui. De agora em diante, Cuba seguirá seu cainho e eu fico.", enternece com sua saudade da infância pobre.
Uma pena, acredito que deixou coisas por serem ditas...
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