sábado, 6 de fevereiro de 2010

Aforismos...

'Jorge Vercilo, para mim, é como manga com leite, tenho a nítida impressão que vai me fazer mal'

"Jorge Vercilo, pour moi, est mange manche avec lait, ai la claire impression qui va me faire mal"

EL TORERO, L.B. "Parlant mal des autres et aphorismes". Painel: Leão Baio,2003

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Dia de Janaína

Canto de Iemanjá
(Baden Powell e Vinícius de Moraes)

Iemanjá, Iemanjá
Iemanjá é dona Janaína que vem
Iemanjá, Iemanjá
Iemanjá é muita tristeza que vem

Vem do luar no céu
Vem do luar
No mar coberto de flor, meu bem
De Iemanjá
De Iemanjá a cantar o amor
E a se mirar
Na lua triste no céu, meu bem
Triste no mar

Se você quiser amar
Se você quiser amor
Vem comigo a Salvador
Para ouvir Iemanjá

A cantar, na maré que vai
E na maré que vem
Do fim, mais do fim, do mar
Bem mais além
Bem mais além do que o fim do mar
Bem mais além

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Poema de Natal

Vinicius de Moraes

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Se indo, foice...

Daqui de cima eu via ele chegar meio de lado, se ladeando. Beiço caído, cabeça em pêndulo rotativo sobre o pescoço magro, queixo agudo quase que roçando o peito.
-Tá quente, hein? Porra!-ou frio, conforme.
Mais de perto, o cabelo ralo e fino, o casco da cabeça manchado de sol e caspa.
Pegava, pagava oque fosse e se ia.
Assim se foi.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Formei-me em Farmácia, e na bebida busco esquecer...

-Torero, com esta frase vc me deixa mais deprê, vê se me ajuda né!?

-Tu não estás contente? Achas uma merda oque escolheste? Sim, porquê nem todos leram com estes olhos isto que escrevi.
Quando digo que um 'A' pode ser lido não de duas, dez ou cem maneiras diferentes e sim de quantos olhos forem capaz de identificar este símbolo, não estou exagerando.
Oras, Farmácia é um curso fantástico, e por diversas razões. São muitos os caminhos a serem seguidos na profissão e nos dá uma visão técnica e alheia a misticismos, é característica do curso este questionamento...funciona? mesmo? como? me mostre!! me prove!
Por isto que bebo!
Me chegam todos os dias miles de explicações, de respostas, de crentes em tudo...lacanianos, sartreanos, budistas e espíritas.
E só bebendo consigo me satisfazer com respostas que não me trazem nenhum gráfico, nenhum experimento padronizado e nenhum ponto fora do Q90.

sábado, 14 de novembro de 2009

Cordeona


Feliz do guasca, Cordeona!
Que te conhece os segredos
Te arranca a alma com os dedos
E o coração traz à boca
Que traduz a ânsia louca
Na melodia que lavra
Substituindo a palavra
Por tua linguagem rouca

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Eleições 1989

Lendo, como sempre faço, o blog do Darwinista (está ali do lado o link), me veio uma porção de lembranças das eleições de '89.
Poderia seguir na mesma linha que ele: decepção, apreensão, falta de perspectiva...porém, em meu caso, as eleições seriam as de 2002, quando, já na faculdade, via uma esperança. Os mais velhos poderão dizer que já não era época de ilusões, mas com pouquíssimas exceções alguém de minha geração e com uma queda pela esquerda não ficaria eufórico e, confesso, com lágrimas nos olhos quando do resultado no final de outubro daquele ano.
Tinha sete anos na época, nascido que sou em '82, lembro de uma ou outra coisa. Como uma menina de minha sala perguntando se era verdade que o Lula iria pôr uma estrelinha vermelha na bandeira do Brasil. A música do Dr. Ulysses, o bordão do Afif, meus amigos falando em Collor(influência da família) e a dificuldade que era arranjar um 'decalque' do Brizola. A alegria de meu pai e do Tio Bolívar quando pregaram na Caravan deste e na nossa Rural o tal adesivo.
Os risotos do comitê, destes só lembro que, ao contrário dos de minha mãe, levavam milho e ervilha.
No mais, o que eu poderia dizer de fatos de uma época, que por muito novo, só ficaram estas esparsas lembranças é isto.
Já da várzea que estamos, do incerto que virá, dos logros que aos vinte e tantos anos já tomamos(isto é dialogismo?), de futebol ou Sobre Heróis e Tumbas falemos em uma mesa de bar.
Que que achou?