quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Assim me contam

O moço bonito passava fardado pela frente da casa da Nilza ainda menina, ela batia continência em brincadeira para ele. Do exécito trouxe uma Terceira carimbada de detenções e umas quantas medalhas de tiro e sinuca. Foi arrozeiro como dois de seus filhos ainda são. Me contava umas histórias longuíssimas, recheada de pausas, almoçava elogiando a comida '...arroz é bom, beterraba é bom! Vagem é bom! Carne boa!' E quando dava aquela tacada largava um 'Conhecesse papudo!' que se eu ficar quietinho apurando os ouvidos ainda consigo escutar.
Vô Ernandi.

Se gabava de ser 'dançador'. Na volta da Peroba era dos mais bonitos. Tinha o pé chato. Bagunceiro e gozador era o cabeça de uma turma arruaceira. Gostava de traíra frita e de cação ensopado. O cabelo era bem branquinho, me explicava como se fazia açucar e melado, e do melado a melhor cachaça. Era um bom assoviador, me chamava de Lucio, cantava 'Sabiá graúna aonde fizesse teu ninho/ na laranjeira mais alta bem pertinho do caminho...' e meu peito ainda aperta de saudade.
Eia, Seu Pedro.

'Me galopan en la sangre
dos abuelos, si señor.
Uno lleno de silencios
y el otro, medio cantor.'

Diz que era assim...

Ia cedo para a escola, destas reunidas, com duas ou mais turmas na mesma sala, dar as suas aulas. Meio-dia levava o almoço para o marido no canavial, enquanto ele almoçava ela atava os feixes de cana com cipó-por não ter toda força ele terminava de apertar o laço- iam para o engenho, ele passando a cana no moedor ela recolhendo os bagaços, depois cachaça ou açucar, no outro dia e sempre, a mesma coisa. Se chama Laide, teve seis filhos, um deles minha mãe.

Enquanto o marido maneava as vacas ela tirava leite, dez, doze, quinze vacas ou mais-ele quase não dava conta, diz ainda orgulhosa-era tratorista, quebrou o dedo lidando com um trator Valmet 'queixo-duro', aprendeu com o pai professor o alemão que ainda domina, pescou de molinete nos mares do sul catarina. Jogava sinuca a ponto de vencer o marido e filhos, e ainda tinha tempo para tachadas de doce e varas de salame. Dos oito filhos um é meu pai. Seu nome é Nilza.


Minhas avós são de carne e osso, mas de ferro e bronze me parecem...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Eu, sobrinho do Dionísio

Sonhei hoje com meu avô. O Seu Pedro. Nada demais, ele estava doentinho, meio tristonho e tals. Acordei com saudade, claro, mas uma vez ele me abraçou no sonho e eu acordei ainda sentindo o cheiro de lã da sua blusa, o cheiro de velhinho que ele tinha e a seda que era o cabelinho todo branco dele. Então este de hoje foi tranquilo, como 'emoção', digamos.
Porém, ah porém...lendo umas coisinhas hoje não é que caí em Dionísio, o do vinho, o colonão, o filho de Zeus mais boa praça!? E lembram-se como foi que Dionísio veio a este mundo(não era bem este, mas vá lá)? A mortal que Zeus havia papado morre quando ele aparece todo pimpão em sua carruagem, ele pega o bebê da barriga da finada e o costura dentro de sua própria coxa, completando assim sua gestação.
E que tem o vô com esta história?
Meu avô, Pedro Reginaldo de Borba é Zeus.
Quer ver?
Em primeiro ele sempre foi todo pimpão, dos mais bonitos das regiões da Peroba, ele mesmo se gabava disto, depôx só não se transmutou em Cisne, ou Ganso sei lá, pra pegar as meninas nas beiras de açude porquê não conseguiu, mas de resto fez de tudo. E tem a última e melhor que me fez chegar até aqui: Sua coxa direita tinha uma cicatriz enorme, quem o conheceu há de lembrar, de bem uns 30cm., e ele nunca explicou direito como apanhou aquele talho. Quer prova maior? Dali saiu Dionísio. É certo.
Dia 29 último, dia de São Pedro, ele faria 85 anos.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Eu Não Quero Voltar Sozinho

Um belíssimo curta que foi censurado no Acre por conta de..., bom todos sabem porquê.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Come Julinha, come...

...Danoninho a marota comia, e se ria toda ainda por cima.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Cartografia Afetiva

"Daquela terra, daquela argila..."

 Nascido entre a lagoa, hoje bem dizer morta, e o mar, cada dia maior, seu norte oscilava entre estas duas águas e a poeira da estrada.

A lagoa de sombrio, a lagoa de sombrio, corre que desaparece ai, ai...

Ela, sempre silenciosa, fazia com que as vozes que soavam longe tivesemm seus vultos a umas braças de distância e o ronco do Tarrã parecesse sempre mais distante.


Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Ele, sempre presente, tinham como que suas ondas rolando no pátio de casa, quanto mais se aproximava mais ficava salgado o cheiro do ar.



Como uma curva de caminho.
Anônima,
Torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!
 E o chão, a terra, a estrada, a poeira, com tudo que encerram: origem, essência, posse, sobrevivência, destino, ida-volta, fuga e reencontro, o moldaram.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Uma payada

O Sonho do Carreteiro
Luiz Menezes

Carreteou anos a fio.
Conhecia palmo a palmo
as estradas da querência;
Sabia onde dava passo
- no tempo das enxurradas -
aquele arroio sotreta
cemitério de carreta
disfarçado em água mansa
Vira nascer muitos ranchos
nesse corredor sem fim.

Sabia que na picada
logo depois do lagoão,
o umbu do enforcado
dera lenda prás estórias
dos bolichos, das ramadas.

Sabia bem todo o causo
da tapera do repecho:
A maula traíra o guasca
e este sem dó nem piedade,
cortara junta por junta
o belo corpo moreno
daquela indiazinha louca
que se engraçara num piá ...

Mas além, no Passo-feio
vira morrer um tal Juca.
Eram três contra o rapaz.
E como morrerra lindo
aquele guasca sem medo ...
A estória ficou em segredo
pois diz que o tal de mandante
era mui relacionado,
e até contraparente
de um graudaço do povo.

Conhecia palmo a palmo
as estradas da querência,
sempre fora carreteiro.
Envelhecera na lida
sem conhecer outra vida
sem ter outra ocupação.
Tinha por seu ganha-pão
a velha carreta amiga
companheira de cantiga
daquele piazinho vivo
que era, alegria e motivo
de seu final de existência.

Pois ficaram bem solitos
mais amigos do que antes
des’que a finada se fora ...
Por isso sempre de noite
a meia luz do candieiro
ficava horas inteiras
mostrando prá seu piazinho
as letras do ABC.

E o piá com muita memória
decorava uma por uma
as letras que galopeava,
ou por outra, engarupava
nas palavras do jornal.
Como era esperto o guri:
Foi duas, três paletadas
já sabia mais que o pai ...
E foi numa dessas noites
que o velho e bom carreteiro
teve um sonho de repente.
E quasi num gesto louco
gritou prás quatro paredes
enfumaçadas do rancho:
Meu filho há de ser doutor!
Não há de ser carreteiro,
pois estas mãos calejadas
do peso-bruto, da enxada,
hão de sangrar no trabalho
prá que este piazinho feio
viva melhor do que eu ...

Pura e santa ingenuidade!
O arroio-sociedade
prá o pobre nunca dá vau!!
No outro dia cedinho
enveredou para o povo ...

Voltava a velha carreta
A resmungar nas estradas
na viajada da esperança
carregadinha de sonhos.
E o pobre e bom carreteiro
ia falando de tudo
com seu piazinho faceiro
dentro da bombacha nova.

Não esquecia de nada
nos seus conselhos de pai:
Se lá no povo à tardinha
o piá sentisse saudade,
bombeasse prá o horizonte,
que alguém solito decerto
meio tristonho é verdade,
mateando assim com saudade
estaria a lhe esperar ...

Que importa se demorasse,
pois nunca ouvira dizer
que a tal saudade matasse.
Mas nesse dia por certo
Quando voltasse doutor
tudo havia de mudar.
Até o céu com certeza
morada das almas puras
ouviria com ternura
uma indiazinha chorar.

E as estradas da querência
que conhecia demais,
lhe viram passar feliz
com novo brilho no olhar.

Mas lá no povo - cuê-puxa! -
Bateu em todas as portas
clamou por todos os santos
recorreu todos os amigos
- muitos dos quais ajudara -
andou quase mendigando,
Prá dar escola pra o filho
mas ninguém quis lhe escutar ...
E a esperança foi mermando
foi mermando ... e se apagou.

Botou a carreta na estrada
o Piazinho dentro dela
tocou de volta outra vez.
A noite então já chegara.
Naquela enrugada cara
de gigante das estradas
uma lágrima teimosa
veio molhar-lhe o nariz ...

Olhou o filho com carinho,
mas com muito mais carinho
Com mais amor do que antes
e uma queixa derramou:
Quem nasce lutando busca
a morte por liberdade!

Mentira! A tal de igualdade
não existe por aqui ...
Que adianta se amar aos outros
se os outros não dão amor?
Pega a picana, piazinho
e acorda esse boi manheiro,
pois filho de carreteiro
nunca pode ser doutor!!


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Dorival, Tom e meu mano Marcelo

É que hoje é aniversário do Marcelinho, ou Maccelo(assim com entonação italiana), ou bem lá atrás Cecéu, ou Papai Macelo como diz a Clarinha, ou Mano. E fica aqui meu beijo com saudade e o desejo de muitas felicidades, que por teu jeito de ser é encontrada nas coisas mais simples, oque é muito bom.
E já que esbarrei com esta coisa fantástica que é Tom e Caymmi, vai aqui também.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Crônica

Sia Rosaura tirava a dentadura para comer
Por isso ela tinha o sorriso postiço mais sincero da minha rua
Dona Maruca fazia uns biscoitinhos minúsculos, estalantes e secos, chamados mentirinhas
Eduviges era pálida e lia romances lacrimosos de Perez Escrich
Tanto suspirou em cima deles que acabou fugindo com um caixeiro viajante
O tempo se desenrolava como um rio por entre as casas de porta e janela
Pequenas vidas
Pequenos sonhos
Na noite imensa as estrelas eram como girândolas brancas que houvessem parado
Sentados à porta
- dois santos, dois mágicos, dois sábios –
meu velho Tio Libório e o velho farmacêutico
propunham-se e compunham charadas
que depois orgulhosamente remetiam sob nomes supostos
para o grande anuário estatístico recreativo e literário da capital do Estado
Mario Quintana

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Para viver um grande amor,

...primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor...

...Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor...

...Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor?...

sexta-feira, 18 de junho de 2010

José Saramago, um sobrevivente num tempo de mudanças.

Estávamos almoçando quando em uma chamada de noticiário ouvi sobre a morte do Saramago. Duas ou três mesas pararam, garfos suspensos. Ela arregalou aqueles olhos grandes e lindos, faz pouco perdeu uma artista a qual gostava muito e que a influencia em seus trabalhos. Eu fiquei triste.
O primeiro livro que conheci do Saramago não lembro o nome, não li todo e não sei do que se trata. Não tinha ponto final no livro, nem vígula nada. Sei que usava de um truque em descrições e que estão em outras obras também. Percebi que ali estava alguém que merecia ser lido.
'Jangada de Pedra' veio até mim com seu desabafo de como a Ibérica é outra Europa, de como está a deriva naquele continente. Em 'O Evangelho Segundo Jesus Cristo' encontrei meu Jesus. Aquele que vale a pena ser imitado. Um ser humano com seus medos e incertezas, e desejos e alegrias. Cujo primeiro milagre foi um ode a alegria.
'Todos os Nomes' é fantástico, e como bem percebeu o meu amigo Gibras, uma história que a princípio não se dá grande valor e que se torna um prazer. Caim é recontado primorosamente, Saramago levava a mesma marca!?
'Ensaio Sobre a Cegueira' rendeu um filme bom e é uma obra prima por tudo. Pela história, pela parábola que é, pela escrita. E por tudo que vai render de desdobramento em torno e dentro de si.

Saramago falando é um vinho de tão bom. Com seu pessimismo, ateísmo, comunismo e todos os ismos que uma pessoa do seu quilate é rotulada, choca, ofende, incomoda, hipnotiza e faz pensar.
O mesmo homem que com firmeza diz "Aqui na Terra a fome continua, / A miséria, o luto, e outra vez a fome." e compara Israel a um novo Golias, se despede de Cuba com "Cheguei até aqui. De agora em diante, Cuba seguirá seu cainho e eu fico.", enternece com sua saudade da infância pobre.
Uma pena, acredito que deixou coisas por serem ditas...

terça-feira, 15 de junho de 2010

Torero


'Seu coração estava aberto em dois como um livro.'

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Clarinha

Padrinho, Clarinha e suas vaquinhas ao fundo.

Ela não veio me visitar porque teria que ajudar o 'Papai Macelo' no sítio, e ainda disse que '...o padinho parece um urso.'.
Desaforada.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Uma vaca e seus berbigão.


Fiz uma experiência banal por estas noites e o resultado se não proveitoso foi deveras inusitado.(Início a la E. A. Poe).
Sempre leio antes de dormir, quando vem o sono ponho o livro ao meu lado na cama. Desta vez além de óculos e livro havia lápis e papel.
A intenção era começar a anotar meus sonhos. (Aqui o texto está ficando igual um Castañeda, que horror).
Assim como todo o mundo, já quis me lembrar oque havia sonhado na noite anterior e não havia conseguido. Ou então acordando na madrugada, o sonho era algo interessante, e pela manhã não havia sobrado nada na memória.
Meu sono, antes agitado, já faz algum tempo está bem melhor, portanto algumas noites se passaram sem os pesadelos outrora tão comuns só acordando com o despertador tocando o CD da vez.
Mas noite passada aconteceu:
Uma vaca, mas não estas vacas de filme, malhadinhas, gordas; era uma vaca de verdade, das que vi nascerem e morrerem e parirem, bezerros e bezerros e bezerros. Pela sua boca um tanto torta identifiquei uma usuária, quando bezerra e talvez até já novilha, das chamadas 'tabuletas', instrumento que quando afixado nas ventas do animal serve para impedi-la de mamar quando isto se torna assim necessário. (Se eu soubesse mexer em photoshop faria uma montagem com uma série de políticos comumente envolvidos em maracutaias, super-faturamentos e tale coisa com a dita tabuleta fincada em suas narinas, seria um medida para evitar que continuem mamando na gordas tetas).
Esta vaca apareceu em minha frente calma, serena, bovina, ruminando, baba escorrendo como de praxe, olhos redondos e enormes e eu me via neles. Só aí entrei no sonho. Eu estava em uma chácara, o tempo era fresco, o dia claro e nada haveria de extraordinário se a mimosa não houvesse me pedido com a voz e trejeitos de boca do Boris Casoy com sotaque ilhéu 'Um quilo de berbigão...' da próxima vez que eu ali voltasse '...pra fazer uns pastel.).

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cerração

Eis que eis do céu de novo ficar cinza, da chuva outra vez não cessar, do vento dar um jeito de se enfiar casa adentro sabe-se lá por que frestas e do peito apertar sob o peso de cem toneladas de desilusão.
Com o sol a pino fica mais fácil desviar os olhos da navalha de barbear, a mesma que atormentou Harry Heller, com a diferença de que a sua sombra me surge duas décadas antes do que a idade do Lobo.
Como Cortázar, os anos de minha infância passaram envoltos em bruma, daí talvez me venha esta umidade impregnante de banco de jardim, e desde muito cedo não retive atenção ou afeto sobre ninguém, nada era pessoal, ou personalizado. Entendia que a vida seguia o trilho, indiferente, imútavel, e que a nós, insetos deste circo de pulgas, exilados em savanas, pampas e tundras, cabia enfrentar o mais terrível deserto, que é oque existe dentro de nós mesmos.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

l'amour entre deux tortues... doucement e toujours...



Com o tempo...

...andando bem a seu jeito, Devagar e Sempre,eles se encontraram, agora sim, de fato, frente a frente.
Pois que apesar de ser indelével e contínuo, com a sua linearidade já posta por terra, seja por físicos, filósofos ou esta outra casta que tanto conta estrela quanto grão de areia, os escritores, outros encontros, de viés, como que esbarrões, meio de lado(o sorriso com o mais puro azul dos olhos-entre um ônibus e outro) já haviam se dado.
De uma feita, a mesma poça, levara os dois a um salto bem parecido, coincidência que caso voltasse a repetir-se de outras formas acabaria por tirar o plausível da história não nos tivesse já acostumados com o absurdo, companheiro contumaz de nossa estada.
A primeira luz da lua após as três noites escuras de um ciclo lunar que seria como outro qualquer, desde que o satélite de nós se desprendera, também escolhera desenhar a silhueta dos vêrtices desta história, cada um em seu mundo, cada qual em seu chão.
Em uma praça enquanto ele arrancava cabeças de formiga, empinava pipa, subia-descia no escorrega e chutava bola, ela passeava de mãos dadas já que o tempo para um corria enquanto para o outro se espreguiçava para passar.
Quando deu-se o choque do encontro na fronteira das elipses de seus mundos, um vento negro soprava de rastros no chão e com uma lufada capaz de arrancar um baobá pelas raízes ergueu-a até o infinito deixando para trás somente o cheiro de pitanga que ele desde criança sentia não sabia de onde.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Fabulações Reminiscentes



A exposição consiste em cinco obras, fotografia e vídeo, que remetem à memória da artista, sendo que cada uma delas leva um texto de cinco convidados que cumprem o papel de interlocutores de fabulações, presentes tanto na obra quanto no texto.

Diz Ju Crispe:
"A idéia é abordar o universo dos mundos reais e ficcionais a partir da vivência de lembranças. A liberdade dada aos escritores para a criação do texto possibilitou a construção de uma rede de colaboração e de olhares diversificados, tanto na relação texto-obra, escritor-artista, quanto na relação obra-espectador",

A moça é formada em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Santa Catarina, participa de exposições desde 2003, é mestranda na mesma universidade com pesquisas relacionadas à memória e tem experiência em mediação de exposições, entende pacas de arte-educação e foi professora.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Sá, Rodrix e Guarabyra


Jesus Numa Moto

Preso nessa cela
De ossos, carne e sangue
Dando ordens a quem não sabe
Obedecendo a quem tem

Só espero a hora
Nem que o mundo estanque
Prá me aproveitar do conforto
De não ser mais ninguém

Eu vou virar a própria mesa
Quero uivar numa nova alcatéia
Vou meter um "Marlon Brando" nas idéias
E sair por aí

Prá ser Jesus numa moto
Che Guevara dos acostamentos
Bob Dylan numa antiga foto
Classius Clay antes dos tratamentos
John Lennon de outras estradas
Easy Rider, dúvida e eclipse
São Tomé das letras apagadas
E Arcanjo Gabriel sem apocalipse

Nada no passado
Tudo no futuro
Espalhando o que já está morto
Pro que é vivo crescer

Sob a luz da lua
Mesmo com sol claro
Não importa o preço que eu pague
O meu negócio é viver

Sob a luz da lua...
Mesmo com sol claro...
Preso nesta cela...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Dalton Trevisan


Curitibano e arredio. Não gosta de entrevistas, não dá entrevista e nem se deixa fotografar. O conto abaixo foi publicado aqui sem qualquer permissão, se ele achar ruim que apareça...
É dele também a célebre frase sobre Curitiba: 'Cinqüenta metros quadrados de verde por pessoa de que te servem se uma em duas vale por três chatos?'