sábado, 13 de dezembro de 2008

O Retrato.

-Teu avô?
Ela me perguntou, defronte à fotografia amarelada e meio carcomida nos cantos que fica na estante da sala, próxima ao cinzeiro que veio de machu-pichu e da bernunça de barro com sua bocarra aberta.
Sempre gostei de ouvir e contar histórias, muitos dizem que minhas mentiras vão muito bem até certo ponto e que depois descambam para o absurdo. É que a intenção é de brincar com a realidade e não apenas e simplesmente mentir.
-Não...-pronto, era a verdade, mas a maneira que eu falei e torci os beiços dava margem para esperar mais alguma coisa.

Ela gostava de histórias, foi oque me disse no barzinho, no ínicio da noite.

-Tu ainda fumas narguilé!?-e sentou-se na minha frente deixando cair um cacho de cabelos no rosto.-o pega rapaz é o mais antigo dos artifícios, penso eu.
-Ás vezes-e o meu melhor sorriso, aquele tímido-cafageste-intelectual que na frente do espelho fica muito bom. E a cuca fervendo para lembrar de onde a conhecia.
-Da casa de L.. Disse ela. E sorriu.
Eram perfeitos, mas prefiro os que não passaram pelo ortodontistas, assim como não curto silicone. Purismo apenas, impedimento para absolutamente nada-deixo dito.
-Claro que me lembro, ora!-de fato me recordava-como ia esquecer!-mais sorriso. E a conversa mole começou
Tu sozinho aqui; Tu também estás; acende cigarro, acende o dela, batem os copos de chopp-nunca gostei de brindar mas mulher adora.
-Como era mesmo aquela história? Que contaste enquanto fumavas o narguilé lá na casa da L...
Era um trecho de um livro do Castañeda, falava sobre procura e poder.
-Sabe mais alguma?-falou, enquanto bebia o chopp e me olhava por sobre o copo.
E foi assim que acabou em frente a minha estante, perguntado sobre a foto antiga de um respeitável senhor de bigode fino e roupa do ínicio do século e que comprei por R$2,25 em uma feirinha hippie.

continua...

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Máx.: 38º, em Brasília.Mín.:5º, nas Laranjeiras.

Este post, é para registrar uma data que, de memória escura e violenta, não deve ser esquecida. Os 40 anos do AI-5, aquele que viria a despertar da letargia em que estavam imersas boa parte da imprensa e da classe média, desde o golpe ocorrido 4 anos antes no país.
Através da indefectível Voz do Brasil, dia 13 de dezembro de 1968 o país todo ficou ciente do cerceamento de liberdade e da verdadeira face do regime de excessão em que nos encontravámos.
No dia seguinte, foi publicado no JB, esta nota climatológica.
"Tempo negro. Temperatura sufocante. O ar está irrespirável. O país está sendo varrido por fortes ventos. Máx.: 38º, em Brasília.Mín.:5º, nas Laranjeiras."
Clara alusão ao Ato Institucional 5 e ao Ato Complementar 38, e que passou batido pelo censor.

sábado, 29 de novembro de 2008

Sobre a Tragédia.

Quando hoje falando com uma amiga sobre a situação calamitosa por qual estão passando os atingidos pelo temporal que atingiu nosso estado, e vendo seu empenho em arrecadar oque fosse possível para levar até a região e, se não aliviar a dor, pelo menos manter com o mínimo de dignidade possível a vida dos nossos irmãos, lembrei-me de uma frase que ouvi em um disco de um show do Noel Guarany.
La arena és um puñadito, pero hay montones de arena.
A frase é do mestre Atahualpa Yupanqui.
Pues bem.
Oque havia para comentar com nossos amigos, conhecidos ou com o companheiro de assento no ônibus sobre as chuvas, já foi comentado. Oque havia para chorar assistindo as cenas, sentados em nossos sofás, já foi chorado.
É hora de escolher as roupas para doar, colocar em sacolas comida e produtos de higiene, adiar a balada de sábado a noite e doar o dinheiro que gastaria com os três chopinhos em quaisquer uma das muitas contas existentes para este fim.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Espírito do Sol

E hoje ela [a saudade] veio na forma de um livrinho amarelado pelo tempo, rabiscado aqui e ali com enternecedoras e simples palavras que ao não dizer nada se mostram de muita importância.
Ao final de algumas páginas lia-se, a lápis, oje ou aqui. Oque isto queria dizer!? Que o livro havia sido lido até aquele ponto. Eu achei bonito, até porque conheço a letra.
E note-se o hoje sem H, comum em quem ao não tem a intimidade com as letras, e o engraçado que é, por impensável, escrever até onde o livro foi lido.
O Espírito do Sol foi escrito por Ofélia Fontes, ilustrações de Narbal Fontes e por volta de 1946 já haviam 4 edições dele.Mas oque há de tão especial em um livro infanto-juvenil, com uma história datada, em que o menino, escoteiro, bondoso, esperto e obediente sai em busca do pai que está nos confins do Araguaia metido no garimpo?
Para mim, muito.
Meu vô, Pedro, certa vez me contou, provavelmente ao me ver com o nariz no meio de um livro, que certa vez ele leu um, TODO. E o modo como ele falou aquilo, me marcou. Aquele TODO dele encerrava uma conquista. E serviu para que ao longo das relações que tracei com outros vida fora, desse, eu, valor, e compreendesse que o pouco para muitos é tudo oque existe.
Deste, provável, único livro que meu vô leu, e que está aqui ao meu lado, com a marca do tempo, foi tirado o nome de meu tio Boanerges, o mais velho dos cinco irmãos de minha mãe.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

1,2,3 e 4

1
A chuva cai lá fora,
você vai se molhar,
vai se molhar
já lhe pedi...

2
não pode tanta distância
deixar entre nós
este sol
que se põe
entre um onda
e outra onda
no oceano dos lençóis

3
a noite
me pinga uma estrela no olho
e passa.

4
você está tão longe
que as vezes penso
que nem existo
nem me fale de amor
que amor é isso.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

O rato.

Ai de mim! - disse o rato - o mundo vai ficando dia a dia mais estreito.

- Outrora, tão grande era que ganhei medo e corri, corri até que finalmente fiquei contente por ver aparecerem muros de ambos os lados do horizonte, mas estes altos muros correm tão rapidamente um ao encontro do outro que eis-me já no fim do percurso, vendo ao fundo a ratoeira em que irei cair".

- Mas o que tens a fazer é mudar de direcção - disse o gato, devorando-o.:

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Adelfa.














"Me miré en tus ojos
pensando en tu alma.
Adelfa blanca.
Me miré en tus ojos
pensando en tu boca.
Adelfa roja.
Me miré en tus ojos.
¡Pero estabas muerta!
Adelfa negra."
F. G. Lorca

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Tempo de pitangas.

"Tudo que é texto, conto, crônica, romance tem que ter despedida ou ao menos a saudade como personagem. Seja o principal, como um Fagundes dos sentimentos, ou mero coadjuvante nas entrelinhas de uma história."
Luciano Borba Steckert.


Esta primavera chuvosa e cinzenta me trás à memória o gosto de pitangas. Mas não eram quaisquer pitangas, logo nem todas são capazes de me aplacar o desejo. Até porque não há, realmente, tal desejo. É mais nostalgia, que o mal tempo alarga, de uma época que- clichê dos clichês-não volta mais.
As pitangas eram colhidas de um pequeno caponete, que já não existe, eram míudas porém roxas, de um que tinge os beiços e dedos e roupas e onde mais encostasse. Em época de chuva elas ficavam mais sumarentas e as folhas mais cheirosas, quebravamos-nas entre os dedos e as trituravam bem próximo ao nariz inalando o olor com ânsia, e com o excesso de ar aspirado vinha uma tonturinha boa.
As árvores eram baixas e retorcidas e nos prestavam para cortar forquilhas para os estilingues-minhas fundas com tão poucas marcas serviam apenas para pedradas em latas e palanques, raramente ia à caça. Havia ali bem próximo os pés de cacto, grandes e espinhudos, com suas flores de um vermelho de ferida e que se chegasse muy perto, tal qual pequenas frechas, seus espinhos seriam lançados.
Se a Urda tem seu tempo das tagerinas, o meu é feito de pitangas.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Miopia.


Hoje faz cem anos da morte do maior escritor brasileiro. Machado de Assis, como estão-todos-carecas de saber, era mulato, pobre, orfão, epilético, gago e míope. Deficiências ou características? Meu caro amigo Guga Amorim bate na tecla da segunda opção, e eu estou com ele.

Certa vez, aqui, postei algo sobre frases de efeito e tal. Muitos adoram estes livrinhos com as tais frases, particularmente, gosto de algumas sim, quase sempre são versos de músicas. As do Barão de Itararé são ótimas, o Vinícius dizia que o wiskie é o cachorro engarrafado. Pois bem, ontem de um jornal ouvi a seguinte, mais ou menos, já que cito de memória: "A miopia me serviu para enxergar as pequenas coisas que fogem às grandes vistas...". Seria de uma crônica do Velho Bruxo que morreu um século atrás. E, hoje, esbarrei com um longo texto, "Depoimentos à meia luz:a Janela da Alma ou um breve tratado sobre a miopia", trata sobre a fantástica coisa que é a visão.
Eu como míope, creio, desde o ventre materno, fiquei fascinado com oque pessoas como Saramago, João Ubaldo, Hermeto Pascoal e miles de outros falaram sobre esta nossa característica- certo Guga!?
A relação que eu desenvolvi ao longo dos vinte e poucos anos de convivio (sendo que ambém tenho vinte e poucos) com os meus óculos, são de uma intimidade e dependência que até eu me-admiro. Sei o tempo exato para limpar suas lentes quando parado em um sinal e antes mesmo de abrir meus olhos pela manhã, já os estou usando. Pessoas mais próximas sabem que não devem, em hipótese alguma, mecher neles quando no meu rosto; e que quando eu permitir que os guardem ou me entreguem por razão que for, será um forte sinal de confiança.
Durante muito tempo quis a cirurgia, não me achava bonito, atrapalha para jogar futebol, na praia...hoje sei do charme que eles me passam, um ar um quê intelectual. E a única razão que me faria gastar tempo e dinheiro, hoje, nesta empreitada seria focar meus pés no banho e vê-los nitidamente.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Parabéns Seu Zeno.

Aqui com a neta.

Em 1957, de fato, um acontecimento que definiria não somente meu modo de ser, mas, realmente, minha existência.
Nascia de Nilza Nagel Steckert , depois de 5 mulheres, o esperado varão de Ernandes Fredi Steckert.
Aquele, que no ínicio de 1982, seria então, meu pai.
O vô Nande também é do dia 23 de setembro, havendo, inclusive, um causo familiar que prova esta coincidência:
"Vô Jorge e vó Mina, pais de vó Nilza, foram visitar o genro e de presente levavavam um bolo. Quando chegaram na casa, a vó já estava com as dores do parto. O meu avô recebeu o bolo e na emoção do momento colocou a torta sobre o guarad roupa...nasceu o nenê, menino, pronto...a pressão por um homem desvanesceu-se. E o bolo foi esquecido...tempos depois o encontraram, embolorado, no local onde havia sido guardado."

Um pai, um homem, a quem admiro e tento imitar...muito do que faço vejo as digitais dele, e gosto disto.
Sem mais delongas, o meu abraço, pois.

23 de setembro...


Ricardo Eliezer Neftalí Reyes Basoalto nasceu em 12 de julho de 1904, porém, quem morreu em 23 de setembro de 1973 foi Pablo Neruda, seu nome de pena, adotado quando ainda adolescente. Foi diplomata, assim como outro conhecido poeta-Vínicius.
Chileno e marxista abriu mão da sua candidatura para que Allende vence-se as eleições para a presidência, da qual seria deposto por golpe militar em outro fatídico 11 de setembro.

Poema XX

Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Escribir, por ejemplo : 'La noche está estrellada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos'.
El viento de la noche gira en el cielo y canta.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Yo la quise, y a veces ella también me quiso.
En las noches como ésta la tuve entre mis brazos.
La besé tantas veces bajo el cielo infinito.
Ella me quiso, a veces yo también la quería.
Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos.
Puedo escribir los versos más tristes esta noche.
Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido.
Oir la noche immensa, más inmensa sin ella.
Y el verso cae al alma como al pasto el rocío.
Qué importa que mi amor no pudiera guardarla.
La noche está estrellada y ella no está conmigo.
Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos.
Mi alma no se contenta con haberla perdido.
Como para acercarla mi mirada la busca.
Mi corazón la busca, y ella no está conmigo.
La misma noche que hace blanquear los mismos arboles.
Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos.
Ya no la quiero, es cierto pero cuánto la quise.
Mi voz buscaba el viento para tocar su oído.
De otro. Será de otro. Como antes de mis besos.
Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos.
Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero.
Es tan corto al amor, y es tan largo el olvido.
Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos,
mi alma no se contenta con haberla perdido.
Aunque ésta sea el último dolor que ella me causa,
y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Moeda Verde...

...para quem se lembra, também já foi tema de enredo de carnaval.

Lamento:
Natureza clama... uma solução...
Preservar a vida... é nossa missão...

Baiacu, pierrô da ilha
Na Calha d'Água ele brincou
Viu as lavadeiras lavando com muito amor
A água que descia a cachoeira era boa de beber
Na ilha abençoada ainda era melhor de se viver

Iemanjá, a rainha do mar
Com seu saber vêm proteger
Nossas águas salvar


Construção no mangue
Ninguém merece não
Moeda de nenhuma cor
Vai comprar nosso coração

Iemanjá, a rainha do mar
Com seu saber vêm proteger
Nossas águas salvar


Vamos preservar as maravilhas do lugar
Santo Antônio chama todos os seres do mar
Ostras, Mariscos e Sereias vão brincar no carnaval
Pra mostrar pro mundo que água limpa é fundamental

Iemanjá, a rainha do mar
Com seu saber vêm proteger
Nossas águas salvar

Operação Dríade...

Operação esta que segue no mesmo rastro da famosa "Operação Moeda Verde": investiga concessões de licensas de maneira ilegal para uma série de investimentos na grande Florianópolis e que teria impacto direto sobre o meio ambiente.

PF prende dono de resort, políticos e funcionários públicos em SC e SP por crime ambiental
Luiz Nunes em Florianópolis
Especial para o Uol

Treze pessoas foram presas em uma operação da Polícia Federal em quatro municípios de Santa Catarina e na cidade de São Paulo. Todos os detidos são suspeitos de participarem de um esquema ilegal para a concessão de licenças irregulares e a promoção de problemas ambientais. Entre os presos está Fernando Marcondes de Mattos - dono de um dos mais conhecidos resorts do país, o Costão do Santinho, além de políticos, servidores públicos que devem responder ainda por corrupção ativa e passiva, além de prevaricação.
Mais no http://paxajax.wordpress.com/2008/09/17/pf-prende-dono-de-resort-politicos-e-funcionarios-publicos-em-sc-e-sp-por-crime-ambiental/

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Morre Richard Wright...


Atrasado como sempre, venho prestar minha humilde homenagem a Richard Wright, tecladista da lendária banda inglesa Pink Floyd. Wright foi um dos fundadores da banda e segundo Gilmor, guitarrista da banda e que substituiu em 1968 o também, hoje, já morto, Syd Barret,"Ele era suave, modesto e reservado, mas sua voz cheia de sentimento e seu jeito de tocar eram componentes vitais, mágicos, do som do Pink Floyd".

Richard que contava com 65 anos, morreu ontem 15/09, de câncer.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ixtlan...


Seria de todo ilusão-Eu- tentar contar, descrever, relatar, por meio da escrita, sobre oque foram estes dias em busca de Ixtlan.
Ixtlan não é um deserto, mas para mim, e outros, estava no deserto. Nem precisava se chamar Ixtlan...Não encontrei Ixtlan, queria tê-lo. Mas então seria o fim.
O velho brujo já havia falado, mas como sempre não escutei. É normal. Sigo na busca, pois.
Quando se fala em deserto pensa-se de presto em dunas de areia, ou cactos, rochas nuas, secas. è isto e mais. Ele é traiçoeiro, não à toa cobras, lagasrtos, salamancas vivem nele. O deserto é rasteiro, porém não baixo. O perigo nunca vem sem um aviso. Há que se conhecer os avisos.
E é belíssimo, o deserto!



Operação Alma

"Há os que fazem materializações...
Grande coisa! Eu faço desmaterializações.
Subjetivação de objetos.
Inclusive sorrisos,
Como aquele que tu me deste um dia com o mais puro azul de teus olhos
E nunca mais nos vimos. (Na verdade, a gente nunca mais se vê...) No entanto,
Há muito que ele faz parte de certos estados do céu,
De certos instantes de serena, inexplicável alegria,
Assim como um vôo sozinho põe um gesto de adeus na paisagem,
Como uma curva de caminho,
Anônima,
Torna-se às vezes a maior recordação de toda uma volta ao mundo!"
(Mario Quintana)

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Viagem à Ixtlan


Estou em uma encruzilhada de minha vida. Sempre fui muito ligado a livros e este realmente mexeu com minhas bases...dia 23 de agosto, em um sábado, embarco para Ixtlan. Don Juan não deve existir mais, não como estamos acostumados a definir existência. Mas é para lá que devo ir...algum outro brujo certamente me mostrará o caminho. Mandarei noticias...
"Cada guerreiro possui uma forma especial, uma posição particular de poder, que ele desenvolveu através de sua vida. É uma espécie de dança, um movimento que ele realizou sob a influência do poder. A morte não pode arrebatar um guerreiro que recapitula pela última vez os fatos de sua vida enquanto ele não tiver terminado sua dança E no curso da sua última dança vai contar seu combate, as batalhas que você ganhou e aquelas que perdeu; vai falar de suas alegrias e de seu pasmo quando encontrou o poder pessoal. " Eu estou indo em busca deste poder. E, assim como Che. Tenho certeza que circularei por Los Arcos com um sorriso na cara.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Uma gineteada às sextas...

"Los bastos son pa' sentarse,
dice algun espectador,
mas si el potro es venidor
lo obliga al hombre a pararse
Dejar la opinión de lado
queda aqui­ certificado
que es dificil jinetear
Es mas faci­l opinar
que montar un reservado"
'Tudo isto roubado do http://www.flickr.com/photos/bombeador/ , onde tem muitas coisas mais.'

terça-feira, 5 de agosto de 2008

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Versos...do Boca do Inferno.

Epílogos

Que falta nesta cidade?………… Verdade
Que mais por sua desonra?………..Honra
Falta mais que se lhe ponha………Vergonha.

O demo a viver se exponha
Por mais que a fama a exalta,
Numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha.

Quem a pôs neste socrócio?……….Negócio
Quem causa tal perdição?………….Ambição
E o maior desta loucura?……………Usura.

Notável desventura
De um povo néscio, e sandeu,
Que não sabe, que o perdeu
Negócio, Ambição, Usura.

Quais são os seus doces objetos?….Pretos
Tem outros bens mais maciços?…..Mestiços
Quais destes lhe são mais gratos?…Mulatos.

Dou ao demo os insensatos,
Dou ao demo a gente asnal,
Que estima por cabedal
Pretos, Mestiços, Mulatos.

Quem faz os círios mesquinhos?…Meirinhos
Quem faz as farinhas tardas?…..Guardas
Quem as tem nos aposentos?…….Sargentos.

Os círios lá vêm aos centos,
E a terra fica esfaimando,
Porque os vão atravessando
Meirinhos, Guardas, Sargentos.

E que justiça a resguarda?………Bastarda
É grátis distribuída?…………..Vendida
Que tem, que a todos assusta?……Injusta.

Valha-nos Deus, o que custa,
O que El-Rei nos dá de graça,
Que anda a justiça na praça
Bastarda, Vendida, Injusta.

Que vai pela clerezia?……………Simonia
E pelos membros da Igreja?……….Inveja
Cuidei, que mais se lhe punha?…..Unha.

Sazonada caramunha!
Enfim que na Santa Sé
O que se pratica, é
Simonia, Inveja, Unha.

E nos frades há manqueiras?………Freiras
Em que ocupam os serões?…………Sermões
Não se ocupam em disputas?………Putas.

Com palavras dissolutas
Me concluís na verdade,
Que as lidas todas de um Frade
São Freiras, Sermões, e Putas.

O açúcar já se acabou?………………Baixou
E o dinheiro se extinguiu?………….Subiu
Logo já convalesceu?…………………Morreu.

À Bahia aconteceu
O que a um doente acontece,
Cai na cama, o mal lhe cresce,
Baixou, Subiu, e Morreu.

A Câmara não acode?……………….Não pode
Pois não tem todo o poder?………..Não quer
É que o governo a convence?……..Não vence.

Que haverá que tal pense,
Que uma Câmara tão nobre
Por ver-se mísera, e pobre
Não pode, não quer, não vence.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Versos, e uma foto por fim...

'Busco con el tacto las semillas
de tus senos envueltos en fragancia
y arde entonces todo el ritmo
de la lava de tu sexo enternecido.

Y el polvo de azúcar esparcido
nos sirve de amanecer caliente
en esta atmósfera que cubre
de relámpago todos los delirios.'


A dita foto por fim: http://www.flickr.com/photos/vgko/2673580813/

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Contos...

Aprendi a gostar de ler com uma série de pequenos livros "Para Gostar de Ler". Claro que não foi somente com eles, mamãe-nunca a chamei assim, sempre foi mãe. Aqui é uma espécie de licença poética.-pois bem, mamãe me deu muitos livros infantis quando pequeno, duas ou três coleções que lá estão, ainda, esperando por meus filhos, mas que antes irão passar pelas mãos de Maria Clara.
Esta série trazia diversos autores consagrados e eram de contos. Clarice Lispector, Érico e Luís F. Veríssimo, Chico Anísio,Trevisan e assim ia. Não era pouca merda os livrinhos.
Dentre estes contos um me recordo, especialmente, talvez pela questão política que o envolve, assunto que sempre me foi muito caro. Segue o dito...

Os devaneios do general
Erico Verissimo
Abre-se uma clareira azul no escuro céu de inverno.O sol inunda os telhados de Jacarecanga. Um galo salta para cima da cerca do quintal, sacode a crista vermelha que fulgura, estica o pescoço e solta um cocoricó alegre. Nos quintais vizinhos outros galos respondem.O sol! As poças d'água que as últimas chuvas deixaram no chão se enchem de jóias coruscantes. Crianças saem de suas casas e vão brincar nos rios barrentos das sarjetas. Um vento frio afugenta as nuvens para as bandas do norte e dentro de alguns instantes o céu é todo um clarão de puro azul.
leia mais após o salto do link http://www.releituras.com/everissimo_general.asp

sábado, 14 de junho de 2008

Livros...


Se existe uma coisa que eu faço bem, é ler. Leio e gosto., do cheiro da porra do livro (não de porra), do peso dele, do som que vem dele, do gosto, tanto do próprio papel quanto do que ele pode evocar-cuca alemã nos da Urda ou o amargor da traição em um do Nabokov.
O Borges, certa vez, disse, que sempre imaginou o paraíso como uma espécie de livraria. Não sei se porque aqui, Brasil, livro é caro e nunca tive grana, prefiro imaginar como um sebo...e o ar, o astral (rsrsrs), o ambiente, para mim, é o sebo.

...Entro em uma livraria, estantes cheias-uma delas somente de Zíbia-tudo limpo, arrumadinho,computadores para leitura de código de barra, livros bem expostos, profusão de escritores árabes, judeus o escambau...olho para um lado Amos Óz, Kabul, Men..R...va...Li..r..s. Culinária, engenharia, dicionários, espírita, filosofia, Um Dia Daqueles, um Beagle na capa de um mais vendido, um mago na Academia, Obras Completas, Livros Inteiros, Zero Traças, Zero Poeira,....

Não me bate.Não me falta ar nem aperta peito...ahora..praqueles lados do Clube Doze, da Fernado Machado, meu senso de orientação é só meu e que ninguém o use pois perder-se-á. Praqueles lados...embola a garganta, dá um nó no peito.

Praqueles lados tem sebo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Yoga, música, neurociências...


Fechei contrato com alguns colaboradores. Logo, a exemplo do Guga http://eltorero1947.blogspot.com/2008/06/versos.html, grandes personas trarão sal à vida aqui no blog...temperarão este espaço. Aguardem...orégano, páprica, pimenta, alho, manteiga de garrafa, tudo no ponto e conforme o gosto.

Geração Coca Zero

"...Se a Geração Coca-Cola foi programada para receber os enlatados do USA, a geração Coca Zero convive com os enlatados culturais norte-americanos, exibidos à exaustão nos canais por assinatura, mas com muita freqüência lê na etiqueta dos seus tênis, roupas e aparelhos eletrônicos a já famosa frase "Made in China"..." Não participo de todas as opiniões do colunista, mas a análise da época não é de todo má.
Mais no http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2559

Versos

-¿Qué me quiere, señor ? -Niña, hoderte.
-Dígalo más rodado. -Cabalgarte.
-Dígalo a lo cortés. -Quiero gozarte.
-Dígamelo a lo bobo. -Merecerte.

-¡Mal haya quien lo pide de esa suerte,
y tú hayas bien, que sabes declararte!
y luego ¿qué harás ? -Arremangarte,
y con la pija arrecha acometerte.

-Tú sí que gozarás mi paraíso.
-¿Qué paraíso ? Yo tu coño quiero,
para meterle dentro mi carajo.

-¡Qué rodado lo dices y qué liso!
-Calla, mi vida, calla, que me muero
por culear tiniéndote debajo.

[poesia erótica do Siglo de Oro Español (sec XVII), autor desconhecido]

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Olha...

Olha, Eu queria escrever luxuoso. Usar palavras que rebrilhaassem molhadas e fossem peregrinas. Às vezes solenes em púrpura, às vezes abismais esmeraldas, às vezes leves na mais fina seda macia.; e simplismente não consigo.
Olha, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre.;e é absolutamente mentira.
Olha, Me deram um nome e me alienaram de mim, a sorte é, que, entre mim e mim, há vastidões bastantes para a navegação de meus desejos afligidos.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Versos

PROMETEU DESACORRENTADO

De uma causa desconhecida
Via-me atormentado pela visão de muitos livros
Idéias, hábitos, geografias, rituais
O mundo me interessava

Mas não o mundo dos catálogos turísticos
Não o mundo já adjetivado, definido, explicado, parcial
Que eu insistia em não digerir
Não.
Não era o caminho pré-determinado e cartesianizado
Que tantos suam para verem acabar calculadamente...

Na verdade, meu Universo abrangia muito mais
Pois os moldes imaginários, sobre a minha visão das coisas
Eu empenhara-me em arrancar - para sempre
E as intrincadas correntes do Julgamento
Já se havia, há muito, quebrado.

Se milhões vagam em trajetórias de fantoche
Porque haveria eu de arregalar também os olhos?
De bater fotos bestialmente, à procura de importância
Ou supostos consolos a mim próprio?

A grande experiência do meu percurso
Residia em procurar além dele.

O desapego acompanha
E a ele vigiarei, feito eterno a cada segundo
Pois domado, me iluminará
Liberto, refreará meu caminho, no mundo

Em minha consciência, canais foram desobstruídos;
conexões, abertas
E agora eu me via livre, absorto
Absorvido nas quietudes do meu espaço
E então, alguns mistérios acreditava compreender
Pois agora, os rituais místicos de culturas ancestrais
Já não me induziam a porquês racionais (!)
porquês vagos,
Indissociáveis de minha natureza
Mas dos quais eu já aprendera a ter o melhor proveito.
E cada vez mais me admirava!

No meio da selva
Curumins ainda dormem envoltos em peles de onça
Para tornarem-se guerreiros fortes e valentes
Como o grande cacique que as abateu.

E monólitos colossais, de confins desérticos
Ainda hoje são venerados por povos aborígines
Oferendas de primitivo temor
Ainda são postas ao sopé de árvores gigantescas
Em ignotas tribos simbióticas do Tibete
A fim de aplacar a ira de entes desconhecidos
Quando da colheita dos doces, quase inatingíveis
favos da ambrósia.

Haveria eu de pagar um preço
Por ter escolhido como “agente de viagens”
Algo que está muito além da minha própria noção?

[ao viajante}:


Vai!...Mas leve sempre contigo:
Sem intenções, te julgarão de boa vontade
Sem vanglórias, te farão alto-espírito.

Que venhas para se divertir e serás sempre bem-vindo.

Gustavo Amorim.

"O Guga é um grande amigo-poeta, escritor, farmacêutico-autor de "MANUAL BEM-HUMORADO DOS PRIVILEGIADOS AUDITIVOS- a deficiência física sob um novo prisma" e dono(?!) do http://desafiodaalma.blogspot.com/ ."

sábado, 31 de maio de 2008

Por favor...

...vocês meninas, que entram, aqui, em bandos , apenas para ver minhas fotos e deixar comentários, os quais sou obrigado a moderar, tal seu teor. Que tal utilizarem melhor seu tempo e darem uma olhada nesta revista!? http://arteeletra.com.br/estorias/ ; para virar a página é no canto inferior direito; a explicação deve-se ao fato de que, entre estas minhas admiradoras , muitas serem leitoras vorazes de Rosamunde Pilcher, então...

Rosamunde Pilcher

Escrever II

E este aqui.
"A linguagem é uma chaleira rachada que batemos para fazer os ursos dançarem. Quando o que queríamos mesmo era mexer com a clemência das estrelas." Gustave Flaubert
Outro.
"Escrever têm leis de perspectiva, de luz e sombra, como a pintura ou música. Se você nasceu sabendo estas leis, ótimo. Senão as aprenda. Então re-adapte as leis para você." Truman Capote
E mais outro.
"Para escrever uma ficção uma mulher precisa ter dinheiro e um quarto só dela." Virginia Woolf
E o Hemingway disse:
"O primeiro rascunho de qualquer texto é uma merda." Ernest Hemingway

Escrever

“Escrever é uma forma de terapia; às vezes eu fico pensando como todos os que não escrevem, compõem ou pintam conseguem evitar a loucura, a melancolia e o pânico que são inerentes à condição humana.” GRAHAM GREENE


Existem muitas outras justificativas para escrever; melhores ou piores, menos erradas ou mais certas, não as há. Oque vale é soar bem aos ouvidos, ter ritmo. E um nome depois das " ".

Aí vai outra...
"Eu escrevo pela mesma razão que eu respiro, se não fizesse eu morreria." Isaac Asimov

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Iansã


Senhora da Tarde, Dona dos Espíritos. Senhora dos Raios e das Tempestades. Oyá, mais conhecida no Brasil como Yansã, foi uma princesa real na cidade de Irá, na Nigéria em 1450a.C.. Sobrinha-neta do rei Elempe e neta de Torossi(mãe de Xangô), conquistou com valentia, coragem e dedicação seu caminho para o trono de Oyó. Conhecedora de todos os meandros da magia encantada, nunca se deixou abater por guerras, problemas e disputas.
Foi mulher de seu primo Xangô e ajudou-o a conquistar vários reinos anexados ao Império Yorubano. Porém, abandonou-o em defesa de sua cidade natal, disposta a enfrentá-lo.
Oyá é a menina dos olhos de Oxalá, seu protetor, e a única divindade que entra no Ibalé dos Eguns(mortos). Na Bahia é sincretizada com Santa Bárbara.
Divindade ctoniana, Iansã tem ligações com o mundo subterrâneo, onde habitam os mortos, sendo o único orixá capaz de enfrentar os eguns. Entre as dezessete individuações da multifária Iansã, uma delas é como Deusa dos Cemitérios.

A Lenda.

Ogum foi caçar na floresta, como fazia todos os dias. De repente, um búfalo veio em sua direção rápido como um relâmpago; notando algo de diferente no animal, Ogum tratou de segui-lo. O búfalo parou em cima de um formigueiro, baixou a cabeça e despiu sua pele, transformando-se numa linda mulher. Era Iansã, coberta por belos panos coloridos e braceletes de cobre.Iansã fez da pele uma trouxa, colocou os chifres dentro e escondeu-a no formigueiro, partindo em direção ao mercado, sem perceber que Ogum tinha visto tudo. Assim que ela se foi, Ogum se apoderou da trouxa, guardando-a em seu celeiro. Depois foi a cidade, e passou a seguir a mulher ate que criou coragem e começou a cortejá-la. Mas como toda mulher bonita, ela recusou a corte.
Quando anoiteceu ela voltou à floresta e, para sua surpresa, não encontrou a trouxa. Tornou à cidade e encontrou Ogum, que lhe disse estar com ele o que procurava. Em troca de seu segredo ( pois ele sabia que ela não era uma mulher e sim animal ), Iansã foi obrigada a se casar com ele; apesar disso, conseguiu estabelecer certas regras de conduta, dentre as quais proibi-lo de comentar o assunto com qualquer pessoa.Chegando em casa, Ogum explicou suas outras esposas que Iansã iria morar com ele e que em hipótese alguma deveriam insultá-la. Tudo corria bem; enquanto Ogum saía para trabalhar, Iansã passava o dia procurando sua trouxa.
Desse casamento nasceram nove crianças, o que despertou ciúmes das outras esposas, que eram estéreis. Uma delas, para vingar-se, conseguiu embriagar Ogum e ele acabou relatando o mistério que envolvia Iansã. Depois que Ogum dormiu as mulheres foram insulta-las, dizendo que ela era um animal e revelando que sua trouxa estava escondida no celeiro.
Iansã encontrou então sua pele e seus chifres. Assumiu a forma de búfalo e partiu para cima de todos, poupando apenas seus filhos. Decidiu voltar para a floresta, mas não permitiu que os filhos a acompanhassem, porque era um lugar perigoso. Deixou com eles seus chifres e orientou-os para, em caso de perigo bater as duas pontas; com esse sinal ela iria socorrê-los imediatamente. E por esse motivo que os chifres estão presentes nos assentamentos de Iansã.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Todoprosa.

"Por que tenho de diminuir as minhas horas em frente à televisão e começar a ler alguma coisa?
Não tem, não. Apenas deveria. Pela mesma razão que deveria comer menos cachorro quente e mais risoto de cavaquinha ao limão siciliano.
Se livros são tão bons, por que ninguém dá bola pra eles?
Não dar bola é relativo. Conheço um monte de gente que mataria por um conto, pularia no abismo por um poema. Quem não conhece os livros tende a lhes dedicar um desprezo semelhante ao que sentimos pela Pomerânia. É uma região historicamente fascinante, mas como saber disso se nunca estivemos lá?
Entre a ficção e a realidade, com quem você se casaria?
Com a realidade, sem dúvida. Não só me casaria como me casei. Ficção é para ler e, além disso, com suas Bovarys e Capitus, pode tornar sua vida um inferno."

Este é um trecho do que é o Todoprosa, lugar que gosto muito de ir, quando de uma entrevista do escritor e jornalista Sergio Rodrigues...tem o link ali do lado, mas de nada custa encaixar outro. http://www.todoprosa.com.br/

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Se os seus olhos eu for cantar...


Uma amiga reclamou que há poucas fotos, aqui. Pois bem.
Esta é Sharbat Gula, quando de 1984 foi capa de National Geographic, a câmera foi a de Steve McCurry.
Desde 1979 em guerra contra o invasor soviético, milhares de afegãos se concentravam em campos de refugiados no vizinho Paquistão, num destes estava a menina da foto, com mais ou menos 12 anos na época.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Ossanha...Sem folha, não há Orixá.


Ossanha ou Ossãe é o Orixá das plantas medicinais e litúrgicas. Orixá das Folhas e das Matas.É fundamental sua importância, porque detém o reino e poder das plantas e folhas, imprescindíveis nos rituais e obrigações de cabeça e assentamento de todos os Orixás através do omieró ou abô (banho feito de ervas), assim como sobre todas as cabeças. Também a ele pertencem os ossos, nervos e músculos. As pessoas com defeitos físicos nas pernas. E que não possuem uma das pernas, quase sempre estão ligadas de alguma forma a esse Orixá, pois ele se apresenta sem uma das pernas, seja simbolicamente, assim como em transe dança com uma das pernas encolhidas como se não a possuísse, muitos de seus filhos conhecidos de todos nós, que não possuem uma das pernas quando da manifestação de Ossãe, dançam toda uma noite em uma perna só. Como as folhas estão relacionadas com a cura, Ossãe também está vinculado à medicina.

Conta uma lenda muito difundida em Cuba, que certo dia Xangô se queixa a Iansã uma de suas mulheres, que somente Ossanha possuía o segredo medicinal das ervas, e portanto todos os Orixás estavam dependendo dele na terra. Para agradar o Marido, Iansã lança seus ventos fortes aos quatro cantos do mundo, estes ventos derrubaram a cabaça de Ossanha que estava pendurada em uma árvore, quando o Orixá viu aquilo acontecer saiu gritando: "Ewé O! Ewé O!" ('Oh! As folhas! Oh! As folhas!'), só que já era tarde demais, os Orixás pegaram o que foi possível e as repartiram entre sí. Mas os Orixás não tinham o conhecimento das ervas e até hoje precisam de Ossãe para usá-las em seus rituais, ficando seu segredo a salvo.


Canto de Ossanha

(Baden Powell e Vinícius de Moraes)

O homem que diz "dou" não dá
Porque quem dá mesmo não diz
O homem que diz "vou" não vai
Porque quando foi já não quis
O homem que diz "sou" não é
Porque quem é mesmo é "não sou"
O homem que diz "tô" não tá
Porque ninguém tá quando quer

Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha, traidor
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor

Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou
Vai, vai, vai, vai, não vou

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

Amigo senhor, saravá,
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha, não vá
Que muito vai se arrepender
Pergunte ao seu Orixá, o amor só é bom se doer
Pergunte ao seu Orixá o amor só é bom se doer

Vai, vai, vai, vai, amar
Vai, vai, vai, sofrer
Vai, vai, vai, vai, chorar
Vai, vai, vai, dizer

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor que passou
Não, eu só vou se for pra ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor

terça-feira, 20 de maio de 2008

Me chamem de Luciano...

Registrei a data de meu nascimento com três garfos de quatro dentes atados em um cordão azul, enterrados ao pé de uma castanheira juntamente com a guimba dos 72 cigarros tragados na noite insone, que por fim transbordaram o cinzeiro de latão com a logomarca de posto de combustível.No crepúsculo do amanhecer, num sótão, jugulei ante uma pedra negra touros sagrados. Durante um ano da Lua, fui declarado invisível: gritava e não me respondiam, roubava o pão e não me decapitavam. Conheci o que ignoram os gregos: a incerteza. Ultimamente tenho andado como um personagem de final de conto de Tchekhov: introspectivo, amargo, pessimista...porém vivo. Uma das consequências deste atual estado de espírito é a predileção-dentre os de Nabokov-por "Gargalhada na Escuridão". A outra, é que sempre que me pego ficando amargo, mandíbula tensa; sempre que em minha alma se faz um novembro chuvoso e cinzento; sempre que me vejo detendo involuntariamente o passo diante de agências funerárias e seguindo a cauda de todo cortejo fúnebre que encontro; e especialmente sempre que minha hipocondria leva a melhor sobre mim de tal forma que só um forte princípio moral me impede de sair à rua e, deliberadamente e com método, aplicar murros na cara dos passantes – nesses momentos, sei que está na hora de me embriagar.

sábado, 17 de maio de 2008

Paulinho fala sobre o blog...

Foi com enorme prazer que li, hoje, no site oficial do grande sambista Paulinho da Viola, uma nota sobre o nosso blog-sim porque é nosso este arremedo de alguma coisa ou de coisa alguma-transcrevo logo abaixo, pois, as palavras do mestre. Creio que entramos com o pé direito no mundo virtual.


"El Torero,
Grande personalidade, boêmio da mais pura cepa, bom bebedor e boa praça...e agora nos brinda com este espaço. Com ares de boteco, lugar em que podemos sentar, pedir aquele chopp bem tirado, acender um Marlboro ou um back, passar a mão em uma caixinha de fósforos e batucar um sambinha antigo pra rememorar com alguns bons amigos. Tem aquela mesa no cantinho...meia luz, ali só conhaque bebe-se, e a fossa impera. Naquela mesa tá faltando ele, ou ela, e a saudade ta doendo em mim. O perfume Gardênia se espalha, impregna, invade nossos sentidos como que espectralmente quando um bolero se escuta. Gente bonita e inteligente congregadas para o espalhamento das palavras...a ti e aos teus, que portelenses são!!!; que Eu sei. O forte abraço do Paulinho da Viola, e um sambinha pra tocar no sábado.


Foi Um Rio Que Passou em Minha Vida
Paulinho da Viola

Se um dia
Meu coração for consultado
Para saber se andou errado
Será difícil negar
Meu coração tem manias de amor
Amor não é fácil de achar
A marca dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar
A marca dos meus desenganos
Ficou, ficou
Só um amor pode apagar
Porém, ai porém
Há um caso diferente
Que marcou um breve tempo
Meu coração para sempre
Era dia de carnaval
Carregava uma tristeza
Não pensava em novo amor
Quando alguém que não me
Lembro anunciou
Portela, Portela
O samba trazendo alvorada
Meu coração conquistou
Ai, minha Portela
Quando vi você passar
Senti meu coração apressado
Todo meu corpo tomado
A alegria de voltar
Não posso definir aquele azul
Não era do céu
Nem era do mar
Foi um rio que passou em
Minha vida
E meu coração se deixou levar
Foi um rio que passou em
Minha vida
E meu coração se deixou levar"

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Sexta-feira é dela...

E ela chama-se Maria Clara Flores Steckert, nome de Imperatriz.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Quinta de Oxalá


OXALÁ

Orixá associado à criação do mundo e da espécie humana. Apresenta-se de duas maneiras: moço – chamado Oxaguiam, e velho – chamado Oxalufam. O símbolo do primeiro é uma idá (espada), o do segundo é uma espécie de cajado em metal, chamado ôpá xôrô. A cor de Oxaguiam é o branco levemente mesclado com azul, do de Oxalufam é somente branco. O dia consagrado para ambos é a sexta-feira. Sua saudação é ÈPA BÀBÁ ! Oxalá é considerado e cultuado como o maior e mais respeitado de todos os Orixás do Panteão Africano. Simboliza a paz é o pai maior nas nossas nações na Religião Africana. É calmo, sereno, pacificador, é o criador, portanto respeitado por todos os Orixás e todas as nações. A Oxalá pertence os olhos que vêem tudo.
As pessoas de Oxalá são calmas, responsáveis, reservadas e de muita confiança. Seus ideais são levados até o fim, mesmo, mesmo que todas as pessoas sejam contrárias a suas opiniões e projetos. Gostam de dominar e liderar as pessoas. São muito dedicados, caprichosos, mantendo tudo sempre bonito, limpo, com beleza e carinho. Respeitam a todos mas exigem ser respeitados.

Meu Pai Oxalá

Atotô abaluyê
Atotô babá
Vem das águas de Oxalá
Essa mágoa que me dá
Ela parecia o dia
A romper da escuridão
Linda no seu manto todo branco
Em meio à procissão.
E eu que ela nem via,
Ao Deus pedia amor e proteção:
Meu pai Oxalá é o Rei,
Venha me valer
E o velho Omulu
Atotô abaluayê
Que vontade de chorar
No terreiro de Oxalá
Quando eu dei com a minha ingrata
Que era filha de Yansã
Com sua espada cor de prata
Em meio à multidão
Cercando Xangô num balanceio
Cheio de paixão
Meu pai Oxalá é o rei
Venha me valer
E o velho Omulu
Atotobaluaiê

O Parto...

E fez-se a Luz...

15 de maio de 2008, mais ou menos 18:50 de um outono como qualquer outono-não tão comum-mas um outono com cara de outono, enfim...sem folhas amarelas caindo de carvalhos, amendoeiras, acacias e estas outras de desenho do Mickey Mouse. Na vitrola toca, ia falar um B.B. King, mas não há vitrola nem o som do camarada-da-guitarra-que-tem-nome,no micro tem sim um Lupi, e dos bons, na voz da Elis, daquele CD, daquela coleção da ZH!; Tá ligado!?
Primeiro post, uma nova palavra hein!? POST, bacana isto (sou dos únicos que falam bacana) de ver nascer e se firmar novos vocábulos, primeiro post pois; Oxalá não seja o último.